Em 76 pinturas, Marcus Yabe documenta cinco anos de uma obra que nasceu da urgência
O Catálogo 001 reúne a produção de 2020 a 2025 do pintor paranaense, organizada em quatro fases que vão do primeiro gesto livre aos rostos deformados de A Exasperação do Ser. O catálogo está disponível para download em myartes.amanocasacriativa.com/portfolios.
Há catálogos que celebram uma carreira consolidada. O Catálogo 001, de Marcus Yabe, faz outra coisa: revela de uma vez só um período inteiro de produção que o artista guardou por cinco anos. São 76 obras pintadas entre 2020 e 2025, em acrílica e técnica mista sobre tela, papel cartão, adesivo impresso digitalmente e couro sintético, em formatos que vão de pequenos estudos de 20 × 20 cm a telas de 200 × 180 cm e um tríptico de 240 × 120 cm.
O próprio artista explica, no interlúdio do catálogo, por que a obra chega ao público condensada: "se anos atrás eu tivesse começado a mostrar obra por obra, talvez você teria acompanhado o percurso. Hoje, você vê um período fechado. Não finalizado, mas condensado em um catálogo."
Quatro fases, um mesmo traço em mutação
A produção está dividida em quatro movimentos, cada um apresentado no catálogo por um texto do artista.
I. A Descoberta do Traço. A fase começa em 2020, com a tela de 118 × 180 cm que lhe dá nome e que o catálogo identifica como a primeira obra criada por Yabe. Segundo o texto da obra, ela nasceu do peso das tragédias narradas no jornalismo policial e da urgência de respirar em meio à pandemia. Foi pintada, repintada e escondida sob outras versões de si antes de ser dada como pronta. Na mesma fase está Os Traços das Três Marias, tríptico de 240 × 120 cm em técnica mista sobre tela, formado por três telas de 80 × 120 cm vendidas apenas em conjunto. São, nas palavras do catálogo, "as três Marias que choram seus filhos".
II. A Descoberta da Forma. O traço se reduz a acento e o círculo surge como forma primordial. "Não me preocupei com a limpeza; meu compromisso é com a narrativa", escreve o artista. É a fase das famílias: Famílias (2021, 100 × 140 cm, técnica mista sobre tela) mapeia vínculos de afeto, controle, ausência e presença, e Sete Variações do Mesmo Silêncio (2020) reúne sete rostos em acrílica sobre papel cartão, de 21 × 29 cm cada, que repetem o mesmo gesto com pequenas mutações.
III. A Exasperação do Ser, Parte 1. "Eis que a face surge, deturpada", abre o texto da fase. Os rostos aparecem como sujeitos "à espreita de tudo e de todos", agora em todos os tamanhos. Aqui está Carnaval do Fim, acrílica sobre tela de 180 × 200 cm, que o catálogo descreve como o riso que resta quando tudo desmorona.
IV. A Exasperação do Ser, Parte 2. "O medo da contravenção acaba e o caos se instala em cada pincelada." Algumas obras desta fase começaram anos antes e só receberam o traço final recentemente. Estão aqui Riso Ardente e Luz Torta, ambas de 2024, e Espelhos Que Não Refletem (2022), técnica mista sobre tela de 200 × 180 cm, em que dois rostos lado a lado "fundem-se em verdes confusos, entre rachaduras e silêncio".
Uma pintura que prefere confrontar
Família, afeto, violência urbana, Carnaval, silêncio, máscaras e identidade atravessam as telas. As cores são vivas, mas o catálogo avisa logo na abertura: "Não se engane, elas são vivas e coloridas, para disfarçar o caos e as provocações."
O manifesto que acompanha o catálogo define a posição do artista diante do próprio trabalho: "Não pertenço à estética limpa, nem à lógica das formas domesticadas." E, mais adiante: "Não quero museu. Quero muro, bagagem, cicatriz."
Edições, idiomas e disponibilidade
A primeira edição do Catálogo 001 saiu em abril de 2025, como edição do artista. A edição revisada, de outubro de 2026, ganhou versões em mais de dez idiomas, entre eles inglês, espanhol, italiano, francês, alemão, mandarim, japonês, coreano, russo, árabe e norueguês, cada uma com revisão independente. Todas as versões podem ser baixadas em myartes.amanocasacriativa.com/portfolios.
Das 76 obras, 74 estão disponíveis para aquisição e 2 integram coleções particulares. Os valores são informados sob consulta pela representante comercial do artista, Fernanda Walter.
O ciclo não termina aqui. Segundo o catálogo, A Exasperação do Ser, Parte 2 continuará com mais 17 obras, e a Parte 3 reunirá inicialmente 38 obras em diversos materiais. "A busca pela subversão estética continua", escreve Yabe.
Sobre Marcus Yabe
Marcus Yabe é artista visual nascido em Paranavaí (PR), que vive e trabalha em Curitiba. Antes da pintura, atuou como diretor de teatro, iluminador, cenógrafo e figurinista, e construiu carreira em mídia e comunicação. Pinta desde 2020, em acrílica e técnica mista sobre tela, papel cartão, adesivo impresso digitalmente e couro sintético. Sua produção de 2020 a 2025 está reunida no Catálogo 001.
Fonte: Catálogo 001, Marcus Yabe, edição revisada de outubro de 2026 (abertura, interlúdio, manifesto, statement, bio, textos das fases e fichas das obras).
Informations presse : Fernanda Walter · yabe@amanocasacriativa.com