Marcus Yabe: do palco e das redações à pintura que não cabe nas palavras
Ex-diretor de teatro e executivo de mídia, o artista nascido em Paranavaí começou a pintar em 2020 e construiu uma obra gestual, em camadas, que transforma o noticiário da violência em rosto, cor e grito.
Marcus Yabe se apresenta como um artista novo. Começou a pintar em 2020, em plena pandemia. A arte, porém, está no seu percurso muito antes da primeira tela.
Nascido em Paranavaí, no Paraná, e radicado em Curitiba, Yabe atuou no início da vida adulta como diretor de teatro, iluminador, cenógrafo e figurinista. Desde muito jovem criava painéis para divulgar eventos e, depois da adolescência, trabalhou como designer gráfico freelancer, que ele descreve no catálogo como "uma das minhas paixões".
Depois veio a carreira em mídia e comunicação: foi publisher da TOPVIEW e executivo do Grupo RIC e da Gazeta do Povo, e concluiu o Master in Media Management pela ISE Business School.
Da notícia à tela
A primeira pintura carrega essa travessia. A Descoberta do Traço (2020, 118 × 180 cm, acrílica sobre tela) nasceu, segundo o texto da obra, do peso das tragédias narradas no jornalismo policial e da urgência de respirar na pandemia. O texto da primeira fase vai na mesma direção: as cenas pintadas "são aquelas relatadas pelos seus pares contemporâneos em reuniões de trabalho".
Daí o vocabulário que atravessa toda a obra: violência urbana, favela, família, Carnaval, silêncio. Em Uma Cena de Favela Traçada, a favela aparece como denúncia e como presença. Em Os Traços das Três Marias, figuras maternas choram seus filhos.
O traço que vira rosto
O statement do catálogo descreve a evolução em poucas linhas: em camadas sobrepostas de acrílica e técnica mista, o traço passa do gesto livre ao círculo e, depois, a rostos deformados que devolvem o olhar ao espectador. A limpeza nunca foi prioridade. "Depositei camadas e mais camadas, sem a preocupação de revelar tudo", escreve o artista sobre a segunda fase.
Os rostos dominam a produção mais recente. São figuras que sorriem enquanto ardem, como em Riso Ardente (2024), ou que se multiplicam em máscaras sobrepostas, como em A Multidão Dentro (2021): "Confusão não é falha: é retrato."
Só artista
No catálogo, Yabe reconhece que muita gente o conhece de outros papéis: "Talvez você me conheça como publisher ou como executivo de alguma empresa, dependendo de quando nos conhecemos, mas nesta minha face de artista, optei por focar em um único aspecto: ser artista." Por isso a comercialização das obras é conduzida por uma representante comercial, Fernanda Walter.
O manifesto fecha a apresentação com a frase que resume o projeto: "Pinto o que me atravessa. Pinto o que me rasga. Pinto o que me cura."
É, nas palavras do statement, uma pintura que prefere confrontar a agradar. As obras e o portfólio completo estão em myartes.amanocasacriativa.com.
Sobre Marcus Yabe
Marcus Yabe é artista visual nascido em Paranavaí (PR), que vive e trabalha em Curitiba. Antes da pintura, atuou como diretor de teatro, iluminador, cenógrafo e figurinista, e construiu carreira em mídia e comunicação. Pinta desde 2020, em acrílica e técnica mista sobre tela, papel cartão, adesivo impresso digitalmente e couro sintético. Sua produção de 2020 a 2025 está reunida no Catálogo 001.
Fonte: Catálogo 001, Marcus Yabe, edição revisada de outubro de 2026 (abertura, interlúdio, manifesto, statement, bio, textos das fases e fichas das obras).
Press information: Fernanda Walter · yabe@amanocasacriativa.com